Pages

Subscribe:

25 de abril de 2008

Como assim?

Saber como as pessoas chegaram a um determinado site é interessante. Principalmente quando é o nosso. Roubei essa idéia de analisar os dados lendo o blog do Fernando e resolvi dividir com vocês os termos de busca do google.
Adianto que fiquei mais assustada que qualquer um que possa ler este post. Muito mesmo.

- Redação sobre maldade humana (que maldade);
- Foto de hemorróida e fissuras (!!!);
- Converça formal (sim, com cedilha!);
- Conversa formal (acho que a pessoa se ligou que estava errado);
- Tipo de conversa formal (juro que foram umas sete vezes, e da mesma pessoa);
- Quero te levar para o infinito (profundo demais);
- Preconceito com herpes (quem faria isso?);
- Jogo de graça falta (esse não sabia o que queria achar);
- Famosinhas sem calcinha (que eca!)

Esses são alguns dos resultados. E em alguns, o Lorotas aparece como primeiro link da lista.

Agora estou realmente preocupada com a reputação deste blog.

9 de abril de 2008

Comodismo 2

... Continuação do post anterior


Vendo que estão apreensivos, a mulher começa a “encher lingüiça”, como ela mesma definiu. Conseguiu arrancar boas risadas. Risadas verdadeiras. Num dado momento, começou a falar sério.

— Quando ficamos juntos, nos esquentamos.

Segundos depois dessa frase, o silêncio incomodou os novatos. Qual será o significado da frase? Parecem ter pensado.

— Por esse motivo, peço que todos que venham para a parte da frente do auditório. Todos juntos para que o ar condicionado pareça menos frio.
Entre espanto, risos e dúvida, as pessoas foram, lentamente, se posicionando na parte da frente, procurando sentar-se perto dos “conhecidos”. Agora mais calmos, pois a frase não tinha mais o peso de antes.

Instantes depois, entra a pessoa responsável pelo atraso. E com ela, outras tantas que comandam o sistema.

Feitas as honrarias, o atrasado começa a falar sobre as regras, objetivos e blá, blá, blás. Na década de 1970 era assim, nos anos 1990 era assado, agora passamos por isso e aquilo, daqui a 20 anos queremos alcançar tal coisa...

Trinta minutos depois, as pessoas, que antes estavam com semblante feliz por ter conseguido realizar o desejo de metade dos brasileiros, aparentavam cansaço. Teriam, a partir daquele momento, a tão sonhada estabilidade financeira. Salário razoável, seis horas de trabalho, férias premium, convênios, descontos, folgas intermináveis e aposentadoria certa.

Mal sabem elas que o cansaço tende a aumentar. Que aquelas pessoas, gentis e confiáveis, participarão, mesmo que contra a vontade, de todo o resto da vida. Que, ao invés de focar as atenções no trabalho, irão tecer comentários vis sobre seu caso amoroso, seu casamento, sua separação, seus filhos, seu carro novo, seu carro velho, sua mudança de residência, sua roupa, seus quilos a mais, sua velhice. E que, em pouco tempo, também estarão se reunido para falar de outros, que falam de outros, que falam dos outros. O salário começa a ficar baixo, mesmo que continue o mesmo, os benefícios não serão suficientes e a aposentadoria, o pesadelo e a redenção. E quando não existir mais nenhuma vontade ou mesmo coragem de largar tudo, mudar, ser feliz, descobrirão que já não há mais tempo. Então, só bastará reclamar...

8 de abril de 2008

Comodismo 1

Era manhã. Auditório cheio. Evento atrasado. Pessoas falando sem parar, se conhecendo, contando passagens da vida e as comparando com as histórias do colega ao lado. O da frente, ainda tímido, ouviu o papo, virou-se e disse:

— Comigo também foi assim!

E assim, ele inseriu-se no grupo, mesmo que timidamente.

E dessa forma o barulho ia aumentado, aumentando, aumentando, com se todos ali estivessem em uma enorme e lotada feira de verduras, falando com todo mundo sobre o mesmo assunto. E de certa forma estavam, menos a parte da feira.

— Qual o seu nome? Cargo? Idade? Onde mora? Você viu quantas pessoas estão com dengue?

Um ou outro resolveu ficar de fora daquela conversa coletiva, com cara de espanto, enrolando nos dedos a alça da pasta mal-feita que acabara de ganhar e, principalmente, temendo o futuro. Talvez analisando situações e pessoas. Pensando se fez a escolha certa. Calculando o custo/benefício.

Logo atrás, um jovem, cheio de vida e esperança, encontra um amigo, aparentemente mais jovem que ele. Narra, empolgado, as vantagens de estar ali. Afirma que não há lugar melhor e o amigo, que fazia parte do “um ou outro espantado”, começou a se sentir confortado, tomou aquele espaço como seu. Porém, não lembrou que o jovem empolgado ainda vive o calor da novidade.

Dois sentados mais ao meio, ao lado do corredor, seguravam a cabeça com os dedos e tinham uma expressão de tédio. Eram mais velhos. As pernas cruzadas e o corpo quase deitado na cadeira indicavam que já havia passado por isso. Muitas e muitas vezes. Pareciam ter pena da euforia da maioria. Talvez tenham lembrado de quando passaram pela mesma situação.

Uma mulher, até bem vestida, sobe ao palco e anuncia, após 40 minutos do horário marcado, que o tal evento estava atrasado. As pessoas se calam. Não sabem quem é aquela mulher, o que ela faz ou representa naquele mundinho que acabaram de entrar. Com exceção do jovem, que vibra ao vê-la, a ponto dos olhos brilharem como jóia. E conta, feliz, quem é ela.