"O amor é filme..
eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
eu sei por que sei muito bem como a cor da manhã fica
dá felicidade, dá dúvida, dor de barriga
é drama, aventura, mentira, comedia romântica"
Ela estava novamente com aquele sorriso no rosto. Não se sentia mais sozinha, carregava em seu peito um sentimento que há muito não tinha. Por um tempo ela relutou; lembrou de quando se entregou a esse mesmo homem e foi, sem explicação plausível, trocada assim, do dia para noite. Tinha medo que o fato ocorresse mais uma vez e tentou não se envolver. Não da forma que está acostumada, já que, quando encontra um amor, se entrega por inteiro. Cautela, muita cautela.
Promessas, palavras doces, mesmo que distantes a fizeram sonhar com um relacionamento mais estável, já que os anteriores a fizeram sofrer e desacreditar em palavras de carinho e nas tais promessas. A única coisa que ela queria era certeza. Certeza de que não passaria por todas aquelas situações novamente. De que poderia ser feliz por muito tempo e não mais por dois ou três meses. Queria ter a certeza de que podia dormir tranquila, pois no outro dia a pessoa amada ainda estaria lá, lhe dizendo coisas doces e pensando no futuro ao seu lado. Um futuro sem data para terminar; um futuro que seria aguardado pelos dois e determinado pelos dois.
O tempo, não muito, talvez um mês e meio, passou. Tempo suficiente para ela perceber que estava diante de uma situação real, de um sentimento real. E não tinha mais jeito, já era dele. Seu carinho, seus abraços, seus beijos, seu amor. Mas algo ainda travava certas atitudes e palavras. Não perdera a cautela. E decidiu seguir assim, prestando atenção a possíveis sinais e, de uma forma até um pouco egoísta, em seu sexto sentido. Precisava agir dessa forma para não passar por mais uma desilusão. Essa era a única forma de se proteger. Queria se sentir segura o suficiente para não pensar em traições e mentiras.
Hoje ela se sente mais amada, mas ainda assim tem medo. Talvez pelos traumas de relacionamentos anteriores, fatos que marcam por toda a vida. Porém ela segue em frente. Está mais confiante em si e espera ser tratada com o mesmo respeito e dedicação que ela oferece ao seu amado. Como toda boa pisciana, espera mais, um pouco mais, de declarações, demonstrações de afeto e, por que não, de provas. Ela sabe que são coisas simples, bobas. Um recado, uma frase, uma mensagem, um convite. Mas o que ele não sabe é que isso irá deixá-la mais segura. Talvez um dia ele perceba isso. Para ela, pequenas coisas são essenciais, como a frase "te levo pro cinema", que a fez transbordar de alegria.
Ela ainda teme que ele tenha algum resquício de sentimento anterior. Claro, entende perfeitamente o quanto é difícil abandonar o que pensava ser eterno; ela já passou por isso e se lembra muito bem. Entretanto, ela reza para que não exista nem um só grão de areia velho dentro dele e sim um mar de esperança e amor que ela agora cultiva com empenho.
A certeza que ela tem? Que está sim, amando.
* A citação no início do texto é parte da música "O amor é filme", da banda Cordel do Fogo Encantado.
























