Então, por causa de uma frase escrita no
twitter por uma pessoa que sigo (
@shelley_) eu lembrei do filme
Into the Wild (2007). Se não me falha a memória, o que é habitual, ela é dita no fim do filme e derruba toda a teoria que o protagonista Christopher McCandless, muito bem interpretado por Emile Hirsch, defende durante todo o tempo em que vive no longa.
Bom, para situá-los, vou fazer um breve resumo do filme, que deve ser visto por todos (nem sei por que não está ali do lado, na minha listinha).
Nascido numa família com certo poder aquisitivo, Christopher é um garoto que não liga para coisas materiais. Não gostava da vida hipócrita que seus pais viviam nem do consumismo cultuado pela sociedade. Após se formar na universidade em 1990, o jovem abdica de tudo o que tem para correr atrás do sonho de chegar ao Alasca. Doou todo o dinheiro que tinha, que não era pouco, para uma instituição de caridade e se aventurou nessa viagem, deixando para trás a mãe, o pai, a irmã e um futuro brilhante. Para que a vida fosse totalmente nova, ele mudou seu nome para Alexander Supertramp. Em cada lugar que passava conhecia gente diferente, passava por situações diferentes e aprendia com a vida. Nem todo o caminho foi tranquilo. Para sobreviver precisou passar por maus bocados, mas em compensação, pode experimentar a verdadeira liberdade. A única coisa que ele queria era viver de forma simples.
Com paisagens fantásticas, o longa emociona e provoca a reflexão sobre a atitude do jovem. Durante o filme aparecem flashbacks com alguma parte da infância de Christopher, narrados pela irmã do protagonista. A trilha sonora também ajuda com a emocionante música
Guaranteed, de Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam. Para finalizar, o filme, que foi dirigido por Sean Penn, foi baseado em uma história real.
Voltando ao raciocínio inicial, eu lembrei do filme e fiz um paralelo com o que estou vivendo agora. Muita vontade de mudar, de ter minhas coisas, de ser a única dona do meu nariz. E, claro, de ter alguém com quem possa contar, que esteja ao meu lado, me faça sentir mulher. Sei que não é de agora que tenho essas vontades, com já escrevi até muito por aqui. Mas essa semana, especialmente essa semana, esse sentimento se tornou um pouco mais consistente. Minhas decisões estão mais fortes e a vontade de alcançar meus objetivos inclui abrir mão de coisas e pessoas que não me trazem mais nada além de dor de cabeça. E eu estou realmente disposta a isso. Crescer.

E eu sei que a parte material será reflexo do meu esforço, do meu trabalho. Ou seja, está garantido, já que amo o que faço. Já a parte sentimental não depende somente de mim. Ouço muito: _ Mas você não precisa de ninguém para ser feliz! Não dependa de outros para ser feliz! Isso eu sei. Posso estar com um cara maravilhoso e mesmo assim não estar bem comigo mesma. Mas aí é que entra um dos ensinamentos do filme (tomarei cuidado para não contar o fim). Ninguém precisa de coisas para ser feliz, basta começar a rir e ver os problemas de cima. Porém, de que adianta passar o dia alegre e não ter ninguém para compartilhar? Não ter aquela pessoal especial para contar e fazê-la feliz também?
Queremos, como o protagonista do filme, ser livre, não depender de nada ou ninguém. Poder largar tudo e saber que não precisamos pensar se estamos magoando alguém. Mas quem consegue viver sempre assim? Quem não quer ter laços com alguém? Passar um quarto do dia relembrando momentos bons ou mesmo tentando colocar os pingos nos 'is' para que tudo fique como antes. Ou simplesmente ficar ao lado.
Reconheço que sou muito carente. E aposto que muita gente pensa como eu. O ser humano não foi feito para ficar sozinho (tanto que procria.. há, há, há. Desculpe a piadinha). Os amigos? Muitos só decepcionam, mas tenho os do coração que não me deixam na mão. Só que não queremos somente sentar e conversar, né!? Queremos ter um momento de intimidade e cumplicidade, coisas que só podemos conseguir com quem amamos.
Daí a discussão vai aumentando mais e mais. Tem uma música do
Cazuza que diz que
As possibilidades de felicidade/ São egoístas, meu amor/ Viver a liberdade, amar de verdade/ Só se for a dois, só a dois. Ou seja, as pessoas magoam quem as ama em busca da felicidade e esquecem que sozinhos não são nada. A minha parte eu já estou fazendo. Estou com mais auto-confiança, amor próprio e tal. Agora é esperar (aí, tem que ter uma coisa chata). Seja um amor antigo ou novo, eu estou aqui, pronta e disposta. E a frase do filme que me fez escrever esse post?
"A felicidade só é real quando é compartilhada"